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Mulheres que fazem a diferença
08/03/2018
 
Arquivo pessoal

Isabela Brunetta Weber é uma mulher de destaque na cotonicultura mato-grossense. Caçula de quatro filhos de Eloi Brunetta, um dos pioneiros do cultivo do algodoeiro no núcleo regional Centro Leste, Isabela, 32 anos, é gerente administrativa do Grupo Itaquerê e vice-presidente da Unicotton, cooperativa de referência em Mato Grosso. Sua irmã mais velha é dentista, mas Isabela optou por trabalhar no agronegócio, um ambiente ainda predominantemente masculino.

"Até a geração da minha mãe, as mulheres ficavam em casa cuidando dos filhos, enquanto o homem era o provedor da família. Hoje, com a modernização da agricultura e a profissionalização do agronegócio, o trabalho deixou de ser meramente braçal e as mulheres acabam tendo mais oportunidades", diz Isabela. Ela reconhece que as mulheres "têm mais jeito" para lidar com a parte burocrática das fazendas e algodoeiras, enquanto os homens têm um perfil mais executivo. "As filhas de produtores estão saindo para estudar e vão se encaixando aos poucos", observa. Isabela destaca a sua vontade de valorizar os esforços de seu pai e tios que integram o Grupo Itaquerê. " A gente que dar continuidade aos negócios da família", conclui.

A cotonicultura mato-grossense tem uma presença marcante de mulheres com vários perfis e a paranaense Maria Valtraut Ristau Garbugio é uma delas. "Sou do tempo em que se catava algodão com a mão", afirma Maria Garbugio, que mora em Mato Grosso desde 1999. Seu marido Pedro veio antes – no início dos anos 1980 - com o irmão Milton Garbugio, mas Maria e os filhos demoraram um pouco mais para trocar o Paraná, de forte tradição algodoeira, pelo estado que hoje lidera a produção brasileira de pluma. Pedro Garbugio faleceu em outubro de 2014 e agora Maria está à frente da Fazenda Paraná, no município de Campo Verde, com os filhos Marcelo e Marcos (engenheiros agrônomos) e a filha Daiana (advogada).

Muito dedicada a projetos sociais em Campo Verde (especialmente à Associação de Pais e Amigos de Excepcionais – Apae, da qual foi presidente por muitos anos), Maria Garbugio (e a filha Daiana) comprovam a importância da participação feminina na cotonicultura mato-grossense, nesta data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. "Hoje a fazenda é uma empresa e vejo muitas esposas de produtores cuidando da parte financeira. As mulheres hoje estão mais valorizadas e tendo mais oportunidades. Os homens que se cuidem", comenta dona Maria, que conserva a característica de produtoras de sua geração de zelar pelas "coisas pequenas" da propriedade: como horta e a criação de pequenos animais destinados ao consumo.

Elas "pagam as contas" - A cada dia mais mulheres estão assumindo o controle financeiro e/ou administrativo (incluindo a área de Recursos Humanos) das fazendas produtoras de algodão, enquanto  maridos, pais, irmãos e/ou filhos cuidam da parte operacional e da comercialização da pluma e outros subprodutos. "Eles fazem as contas, eu pago", resume bem-humorada Marcia Webler, diretora financeira do Grupo Webler, que cultiva uma área de aproximadamente 8 mil ha de algodão, em Sapezal, no Noroeste mato-grossense. Segunda filha do produtor Inácio Webler, pioneiro na região, Marcia, divide com os irmãos Cleto e Carlos a administração do Grupo e toma conta do escritório central instalado em Sapezal.

Natural do Paraná, Marcia veio para Mato Grosso, em 1991, aos 21 anos e concluiu a faculdade de Ciências Contábeis em Tangará da Serra, numa época em que Sapezal ainda não estava estruturada como cidade ou município.  "Pensei: vou encarar esse Mato Grosso", conta Marcia, que, em 1997, se instalou definitivamente em Sapezal, onde cria um casal de filhos. Ela acredita que "a mulher está se destacando cada vez mais no agronegócio" e gosta de participar de eventos como o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio.  

A presença feminina na direção de unidades produtoras de algodão tem representantes em todas as regiões de Mato Grosso como Sorriso (Claudia Piccoli e Geisa Riedel), Lucas do Rio Verde (como Magna e Carla Guimarães), Campo Novo do Parecis (como Claudirene Piaia) e Campo Verde (como Elaine Botton e Iris Berto, que largou um emprego na cidade para cuidar da fazenda com o marido Gustavo Berto). Muitas são associadas à Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão) como Marceli Vesz, que desde 2004 cultiva algodão ao lado do marido, Vagner Gaiatto, incentivada por seu pai Vitor Vesz, produtor em Campo Verde.

"Eu cuido de toda papelada, da parte do escritório e ele fica com a parte operacional das fazendas. Nós nos completamos", comenta Marceli, que tem dois filhos e se dedica à lavoura em três fazendas arrendadas em Nova Mutum. Formada em Administração, com pós-graduação em Agronegócio, ela se orgulha de ter contribuído para o desenvolvimento de um programa (software) voltado para o gerenciamento da produção algodoeira. O fato de dividir com o marido a administração da VM Agro, segundo ela, não atrapalha o casamento. "Muito pelo contrário, nossa relação flui melhor. Temos mais assunto", argumenta.

Geisa Riedi tem opinião semelhante. Casada com o produtor paranaense Arilton Riedi há 22 anos, a cuiabana Geisa mudou-se para Sorriso (cerca de 400 km ao norte de Cuiabá) um mês após o casamento e, desde então, compartilha com o marido o dia a dia dos negócios da família, uma das pioneiras no cultivo do algodoeiro na região. Mãe de dois rapazes, ela cuida da parte financeira e de recursos humanos da fazenda, e acha "super importante" a participação das mulheres no agronegócio.

"O sucesso de nossas lavouras depende de muitos fatores, clima, preços. Acho importante estar junto para entender melhor o que acontece e poder dar apoio ao meu marido. Temos colaboradores, mas a gente tem que estar à frente até para garantir a continuidade do negócio que será de nossos filhos", afirma Geisa, que é graduada em Administração e pós-graduada em Liderança e Coaching.

Liderança – Há casos em que a mulher assume a liderança dos negócios da família, como ocorreu com Silvana Varnier, hoje no comando do Grupo Varnier, que cultiva uma área de aproximadamente 6 mil ha de algodão. A paranaense Silvana é bailarina de formação e até setembro de 2014 era a "artista" da família. A morte trágica do marido Sérgio Varnier num acidente de avião obrigou Silvana a se multiplicar para atuar como mãe (tem quatro filhos com idade de 23 a 32 anos) e empresária (é dona de três academias de ginástica em Tangará da Serra). Apesar das dificuldades, ela não reclama de preconceito:

"Se o grupo estiver bem, estiver forte, não há problemas pelo fato de ser liderado por uma mulher. Mas sempre tem aquela coisa de alguém achar que mulheres não fazem certas coisas", comenta Silvana, 53 anos, que vê com bons olhos a crescente presença de mulheres no agronegócio e tem uma filha cursando Agronomia.

Nova geração - Letícia Scheffer, 22 anos, é uma legítima representante da geração mais jovem de cotonicultoras. Filha de Fernando Maggi Scheffer, um dos quatro proprietários do Grupo Bom Futuro, ela está passando uma temporada nas fazendas de Campo Verde, como parte do programa de Desenvolvimento de Herdeiros e Acionistas (DHA). "O objetivo é que nós tenhamos a oportunidade de conhecer e entender todas as áreas em que o Grupo atua (agricultura, pecuária e piscicultura), independentemente se vamos trabalhar na empresa", explica Letícia, que diz ter certeza de que vai trabalhar no agronegócio.

Formada em Administração, Letícia está acompanhando o plantio da safra 2017/18 de algodão e aprendendo muito sobre a cotonicultura. Em parceria com as irmãs Dayla Mayra e Maria Julha, ela mantém uma área de cultivo no município de Chapada dos Guimarães. Embora reconheça que a participação da mulher no mundo agro tenha melhorado muito nos últimos anos, ela acredita que ainda há um longo caminho de evolução. "As mulheres são muito exigentes. Pode ter certeza de que sempre que há algo que requer mais cuidado, vai ter a presença da mulher, que é detalhista, perfeccionista. Mas ainda há um pouco de preconceito e barreiras diárias a serem enfrentadas. Mulheres são guerreiras", conclui. 

Para o presidente da Ampa, Alexandre Schenkel, a crescente participação da mulher na cotonicultura e no agronegócio em geral é mais que bem-vinda. "Nossa agricultura é complexa e altamente tecnificada, e tem lugar para todos. Homens e mulheres se complementam seja na vida privada, seja no agronegócio", opina Schenkel, aproveitando para parabenizar todas as mulheres (associadas à Ampa ou não) pelo seu dia.

 
Fonte: Assessoria de Comunicação da Ampa
 
 
 
 
 
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